777, Entre o Céu e a Terra

É um romance de ficção cristão sobre pessoas escolhidas por Deus para um propósito especial. Para isto receberão dons nunca antes concedidos a nenhum ser humano. Tudo se passa numa época próxima ao arrebatamento. Nesta jornada eles irão enfrentar batalhas contra forças do inimigo, e contra si mesmos, e suas vidas nunca mais serão as mesmas...

Capítulo 5

24 de mar de 2010



Na noite anterior quando estavam na pizzaria, Mauro e Israel haviam combinado que iriam encontrar-se no dia seguinte em uma lanchonete. Mauro já estava lá à espera de Israel que acabara de chegar, então ambos se cumprimentaram e Israel sentou-se.
- Como foi sua noite Israel?
- Não foi, não dormi um minuto sequer, fiquei a noite toda pensando no que ocorreu conosco ontem à noite.
- Eu também tive dificuldades para dormir.
- Mauro, eu preciso lhe pedir um coisa.
- O que Israel?
- Eu preciso ver você fazer “aquilo”.
- Mas...eu não sei se consigo fazer novamente.
- Então vamos descobrir juntos.
- Mas você quer que eu faça aqui mesmo?
- Sim, por que não? Aqui onde estamos ninguém irá nos ver.
Então Mauro pegou um frasco de mostarda que estava sobre a mesa, posicionou-o na sua frente e fixou o olhar nele. Alguns segundos se passaram mas o frasco continuava exatamente onde fora colocado.
- Estranho Israel, eu estou desejando que o objeto se mova, mas nada acontece.
- Tente mais uma vez por favor.
Então Mauro se concentrou novamente no objeto por mais alguns segundos, mas ainda assim o objeto não se moveu um milímetro sequer, e desapontado ele falou:
- Sei lá Israel, talvez eu só consiga fazer isto em situações extremas.
- Puxa Mauro, passei a noite em claro com mil coisas passando pela minha mente, coisas que me deixaram assustado e confuso. Eu juro que estou tentado acreditar em você, mas está difícil, é tudo muito surreal. Eu sei que ontem à noite fomos salvos milagrosamente da morte, mas preciso ver para crer que foi você. Por favor não me leve a mal meu amigo.
- Está tudo bem Israel, eu entendo você.
- Mauro, se você já fez isto duas vezes então deve haver algo que não está fazendo desta vez, sei lá, um gesto ou algo parecido, tente lembrar os detalhes.
Então as cenas passaram na mente de Mauros como flashes, e de repente...
- Há uma coisa que eu ainda não fiz Israel, vou tentar mais uma vez.
Então Mauro posicionou sua mão direita em forma de meia lua perto do frasco, como se fosse pegá-lo, e novamente se concentrou no objeto, e desta vez o objeto se moveu até ir parar no meio da sua mão.
Então Mauro olhou para Israel com um olhar de espanto e fascinação ao mesmo tempo.
Israel ficou mudo por um tempo, mas depois falou:
- Mauro, me perdoe por ter duvidado.
- Não precisa se justificar meu amigo, acho que eu também teria agido como você, para mim também é difícil de assimilar.
- Bem Mauro, agora eu tenho algo para te contar.
- Ontem à noite, quando estávamos sendo levados pelos bandidos, meu celular tocou, mas não fez barulho, pois estava em modo silencioso. Depois que fugimos e chegamos de volta à pizzaria eu olhei para ver quem tinha ligado, e vi que havia sido a Juliana. Então quando estávamos saindo da pizzaria eu chamei ela a parte e perguntei por que ela havia me ligado. Ela disse que não era nada que eu devesse dar importância, mas eu insisti dizendo que gostaria de saber o motivo. Então, meio   contrariada ela me contou que teve uma visão, e nesta visão nós estávamos em perigo. Mas como nós voltamos e tudo parecia bem, ela achou que fosse só coisa de sua cabeça. Eu fiquei intrigado com aquilo, mas fiz uma brincadeira pra tentar disfarçar e fomos embora.
- Puxa Israel, será que a Juliana também tem algum dom?
- Bom Mauro, depois do que eu vi hoje já estou até considerando esta hipótese como possível.
- E você tem alguma idéia do que podemos fazer para descobrir isto Israel?
- Eu não sei meu amigo, mas vamos pensar numa forma de descobrir.


                            - || -

O telefone celular de Heloísa tocou e ela atendeu:
- Alô.
- Alô Heloísa, sou eu, Arnson.
- Oi Arnson, fale.
- Tenho um assunto muito importante para tratar com você, preciso encontrá-la agora, seria possível?
- Agora!? Bem, estou no horário de almoço, me pegue no lugar de sempre no estacionamento do shopping e podemos conversar um pouco.
- OK, em 10 minutos te pego lá.
Arnson pegou Heloísa e se dirigiu a um parque onde estacionou o carro embaixo de uma árvore.
- Bem Arnson, o que você tem de tão importante para falar, desembucha logo que a curiosidade está me matando.
- Bem, a notícia que tenho a dizer é delicada. Um de nossos dominadores estava ontem a noite influenciando uns assaltantes que raptaram dois homens e os levaram para um bosque afastado para roubar seus pertences e o carro. Chegando no bosque eles colocaram os dois de joelho e ordenaram que não olhassem para os seus rostos, caso contrário iriam matá-los, mas um deles não se conteve e olhou para o rosto do assaltante. Então os bandidos ficaram furiosos e um deles apontou a arma, ele ia matar os dois homens quando um deles simplesmente estendeu a mão e arremessou os dois assaltantes longe, então eles bateram a cabeça numa árvore e caíram no chão desacordados. Então os dois homens que foram sequestrados trataram de fugir dali.
- E o dominador descreveu como eram estes homens que foram raptados? Digo, não poderia ser algum aliado nosso?
- Bem, o dominador me disse uma coisa alarmante Heloísa, que os dois homens tinham o selo.
- Não pode ser Arnson, somente cristãos tem o selo.
- Exatamente Heloísa, eram dois cristãos, agora não me pergunte de onde saiu um cristão com esta habilidade que eu não faço a mínima ideia. Pois os únicos relatos de pessoas da luz com habilidades como estas datam dos tempos bíblicos, Sansão que tinha uma força descomunal, Elias que fazia sinais, mas te confesso que a habilidade deste homem está num nível que nunca havia sido visto antes.
- Bem Arnson, e o que iremos fazer a respeito disto?
- Eu pedi para o dominador vigiar o tal homem até a nossa reunião com o mestre, então decidiremos o que fazer.

Capítulo 4

22 de jan de 2010

Era sexta à noite, Mauro e sua esposa estavam indo de carro ver alguns amigos, dentre os quais estariam Israel e sua esposa, e Juliana.
O encontro seria na pizzaria onde costumavam se reunir para comemorar alguma data especial, ou simplesmente compartilhar a companhia uns dos outros enquanto saboreavam o seu prato preferido, pizza.
Ao se aproximar da pizzaria Mauro entrou com o carro no estacionamento de clientes, mas logo na entrada eles se depararam com o guardador de carros que estava obstruindo a entrada. Então ele solicitou que tentassem estacionar na rua, pois todas as vagas ali já estavam ocupadas. Isto não agradou muito Mauro, mas como não havia outra opção eles seguiram pela rua até que acharam uma vaga junto à calçada, uns 70 metros após a pizzaria. Então estacionaram o carro e foram ao encontro dos amigos que já estavam aguardando dentro da pizzaria.
Ao entrarem viram que o local estava muito cheio e neste momento alguém veio os recepcionar e perguntou:
- Mesa para 2?
Mauro respondeu:
- Obrigado senhor, mas vamos nos encontrar com alguns amigos que já se encontram aqui.
Então começaram a procurar, e após dar uma olhada Mauro avistou a mão de Israel levantada tentando lhes avisar a sua localização, neste momento se dirigiram até a mesa, e após alguns cumprimentos se juntaram a eles.
- Puxa Mauro, eu já ia começar a comer o limão do refrigerante para tentar enganar a fome por causa da demora de vocês - Disse Israel em tom de brincadeira.
- Que bom então que chegamos a tempo de evitar uma tragédia.
- Como assim? Perguntou Israel.
- Ora, você poderia acabar caindo dentro do copo eu não estaria aqui para salvá-lo do afogamento.
Mauro disse isto porque tinha 1,78cm de altura enquanto Israel não passava de 1,65cm.
Em meio às risadas de todos Juliana perguntou:
- Vocês trouxeram a câmera para tirarmos nossas fotos de costume?
Neste momento Mauro parou de rir e colocou a mão na cabeça, e com a expressão de quem cometeu um grande erro respondeu:
- Puxa Juliana, me perdoe, mas na pressa de vir logo acabei esquecendo.
- E agora? Indagou Juliana.
- Não se preocupe, voltarei até nossa casa para pegar a câmera, afinal não podemos quebrar esta tradição milenar. Disse Mauro tentando fazer um pouco de graça para amenizar o seu erro.
- Eu vou com você, disse Israel, porque do jeito que anda sua memória é possível que ao chegar em casa você acabe esquecendo o que foi fazer lá.
- Pois é, vamos lá então amigo.
Então os dois levantaram-se e foram.
Já na calçada Israel perguntou onde Mauro havia deixado o carro, e Mauro respondeu:
- Tive de estacioná-lo na rua, pois o estacionamento da pizzaria já estava lotado.
- Bom, pela hora que você chegou já deveria saber que não haveria mais vaga no estacionamento.
- Não se preocupe Israel, o carro está no máximo a um dia e meio de caminhada daqui.
Então Israel deu um pequeno sorriso e seguiram na direção do carro.
O local onde Mauro havia deixado o carro estava um pouco escuro porque a lâmpada do poste mais próximo estava queimada.
Os dois chegaram lá e se posicionaram em frente às portas.
Então Mauro abriu a sua porta, e a trava elétrica tratou de liberar também a porta onde Israel aguardava para entrar, e ambos entraram no carro.
Então, quando Mauro colocou a chave na ignição e se preparou para dar a partida apareceram dois homens armados que se posicionaram um em cada lado do carro, e um deles falou:
- É um assalto, saiam do carro e vão para o banco traseiro, fiquem com as cabeças baixas e não olhem para nós, senão eu estouro a cabeça de vocês.
Então Mauro e Israel passaram para o banco de traz enquanto os dois homens sentaram no banco da frente.
Enquanto um deles dirigia o carro o outro permanecia virado para traz apontando a arma.
Na pizzaria, enquanto todos estavam conversando e aguardando o retorno de Mauro e Israel Juliana levantou-se e avisou que iria ao banheiro.
No caminho de repente ela teve uma visão, foi como um flash rápido. Então seu coração se encheu de angústia e ela pegou rapidamente o celular dentro da bolsa, acessou a agenda e ligou para Israel.
Neste momento Israel sentiu a vibração do celular em seu bolso, por sorte o aparelho não emitiu nenhum som por que estava em modo silencioso.
O telefone de Juliana chamou até cair a ligação. Então após ir ao banheiro ela voltou para a mesa, porém não falou nada para os demais para não deixá-los nervosos, afinal aquilo poderia ser somente coisa da sua mente.
Mauro e Israel estavam nervosos, mas eles sabiam que suas vidas estavam nas mãos de Deus, e isto era o que lhes confortava um pouco o coração.
O motorista conduzia o carro em velocidade acentuada e logo chegaram a uma área afastada da cidade onde havia uma pequena mata, então pararam onde havia uma clareira.
O motorista desceu rapidamente do carro, enquanto seu companheiro mandou que Mauro e Israel também descessem e frisou novamente que não olhassem para o rosto deles.
Então mandaram que eles se ajoelhassem e colocassem as mãos na cabeça.
A situação ficava cada vez mais tensa e enquanto eles permaneciam ali ajoelhados os bandidos dialogavam para decidir qual seria o próximo passo.
Então Israel levantou levemente sua cabeça para tentar ver o que estava acontecendo no diálogo entre os dois homens, achando que eles não iriam notar, mas um deles percebeu o que Israel havia feito e enfurecido apontou a arma para a cabeça dele e disse num tom de raiva:
- Eu falei para não olharem para nós, agora teremos de matá-los.
Israel então abaixou a cabeça novamente, apavorado, e os dois homens engatilharam as suas armas e apontaram para as cabeças de Mauro e Israel, intentando dar cabo de suas vidas.
Quando Mauro percebeu o que os bandidos estavam prestes a fazer, ele orou a Deus em sua mente:
- Senhor, eu suplico que faça alguma coisa, não permita que venhamos a morrer.
Logo após estas palavras Mauro se lembrou do episódio do supermercado onde ele evitou que aquele objeto se quebrasse parando-o em pleno ar. Então ele tirou sua mão direita da cabeça e esticou o braço para frente com a palma da mão aberta, como que se quisesse proteger-se da bala.
Os dois homens posicionaram seus dedos indicadores nos gatilhos de suas armas.
Mauro levantou a cabeça, pressionou seus lábios um contra o outro, e olhando fixamente para o rosto de seus executores fez um movimento circular rápido, de forma que a palma da mão ficou virada para cima.
Então as duas armas foram arrancadas bruscamente das mãos daqueles homens e arremessadas para longe.
Novamente, com outro gesto de sua mão os bandidos foram arremessados para traz com grande força, de forma que bateram suas cabeças nas árvores que estavam há uns 10 metros atrás deles, e caíram inconscientes no chão.
Então Mauro vendo que aquele era o momento para tentar uma fuga, tocou o ombro de Israel para que ele levantasse sua cabeça e tomasse conhecimento da situação.
Ao levantar a cabeça Israel viu os dois homens caídos alguns metros a sua frente, e ficou sem entender o que havia acontecido. Mauro neste momento já estava em pé e puxou Israel, então ambos correram para o carro para sair dali o mais rápido possível.
Minutos após já estarem rodando Israel perguntou:
- Mauro o que houve?
- Não sei Israel.
- Você não viu como aqueles homens foram parar inconscientes no chão a nossa frente?
- Israel, na verdade eu vi, mas não sei como explicar.
- Mas tente, por favor.
- Não sei por onde começar.
- Comece pelo início Mauro, pelo amor de Deus homem, me conte logo o que você viu, quem ou o que fez aquilo?
- Não sei se você vai acreditar em mim Israel.
- Prometo que vou Mauro.
- Bem, você lembra quando lhe contei do que aconteceu no supermercado dias atrás?
- Você está falando sobre aquela história maluca onde você segurou um objeto no ar sem usar as mãos?
- Isso.
- O que tem isto haver com o que aconteceu hoje Mauro?
- Bem, aconteceu novamente.
- Como assim?
- Aconteceu novamente Israel.
- Aconteceu o que Mauro?
- Quando os bandidos apontaram as armas para nós eu logo ouvi o clique delas sendo engatilhadas. Então clamei a Deus que nos livrasse da morte. Aí veio em minha mente o que aconteceu aquele dia no supermercado, foi como um filme passando na minha mente, como se o Espírito de Deus tivesse me feito lembrar, e logo após isto eu simplesmente sabia o que deveria fazer. Então estiquei meu braço direito e com um movimento da mão arranquei as armas deles, e logo após, com outro gesto os arremessei contra aquelas árvores, então eles bateram a cabeça e caíram desmaiados.
- Mauro, você quer que eu acredite nesta história esquisita?
- Israel, eu não mentiria para você, como também não o fiz sobre a história do supermercado. Eu estou tão confuso como você, mas esta é a única verdade que tenho para lhe dizer.
- Israel calou-se e ficou pensativo por algum tempo, e depois perguntou:
- E o que faremos agora?
- Bem, vamos até a minha casa, pegamos a câmera, voltamos à pizzaria como se nada tivesse acontecido. Se perguntarem por que demoramos, diremos que tivemos algumas dificuldades para pegar a máquina, o que não será mentira concorda?
- Certamente não, mas quanto aos bandidos que ficaram na mata, temos de ligar para a polícia não acha?
- E diríamos o que Israel? Que tentaram nos matar e eu desarmei os bandidos e os arremessei longe com a força do pensamento?
- Olha Israel, se quiser liga você e eu prometo que te levo chocolates no hospício, pois vão pensar que você está louco.
- Você tem razão. E... Mauro.
- O que foi Israel?
- Obrigado pelos chocolates.
- Não tem de quê amigão.
Então Mauro e Israel voltaram para a pizzaria e tentaram agir da forma mais natural possível para que ninguém desconfiasse de nada.


Continua...

Um carro azul escuro entrou no estacionamento do shopping center e dirigiu-se ao pavimento inferior. Suas rodas eram grandes e brilhantes, assim como as maçanetas das portas. Os vidros eram escuros de forma que não se conseguia ver quem estava em seu interior.
Ele percorreu as ruas do estacionamento como se estivesse procurando algo em meio aos intermináveis pilares de concreto. Eram 9 horas da noite e quase todas as vagas estavam ocupadas.
Então o carro dirigiu-se até local onde havia uma pessoa que parecia estar a sua espera, diminuiu a velocidade até parar completamente, de forma que a porta ficou posicionada em frente à pessoa, que abriu porta e entrou.
- Boa noite Heloísa, disse o motorista do carro.
- Olá Arnson, porque você demorou tanto?
- Me perdoe, mas o trânsito está cada vez mais difícil, ainda mais numa sexta-feira à noite quando todos resolvem sair.
- Mas fale-me, como vão as coisas na loja Heloísa?
- Tudo está bem, nossa nova funcionária se entrosou facilmente com os demais colegas e tudo está ocorrendo conforme planejado.
- Excelente notícia Heloísa.
- Mas Arnson, há uma coisa que eu preciso lhe falar.
- Fale!
- Eu sinto algo estranho em relação a esta nova moça.
- Como assim?
- Não sei Arnson, ela parece inofensiva, mas sinto como se houvesse algo mais a respeito dela que poderia ser ruim para nós.
- Do que você está falando Heloísa?
- É um pressentimento estranho, acho melhor termos cautela, ou talvez, até mesmo procurar outra pessoa.
- Não Heloísa, nós temos um plano a executar e faremos conforme planejado, afinal, você não iria querer desobedecer nossas ordens não é?
- Não, de forma alguma Arnson.
Eles continuaram conversando assuntos diversos ao longo do caminho até que pararam em frente a uma residência. Ela tinha um enorme portão de ferro com aproximadamente 3 metros de altura e estava situada em um bairro nobre. Uma câmera posicionada no lado superior direito do portão tratou de avisar a chegada deles, então o grande portão abriu-se liberando sua entrada.
Ao passar pelo portão o carro seguiu por uma pequena estrada que cortava um jardim, até que parou em frente à porta principal.
Já no interior da casa Arnson e Heloísa caminharam por um corredor no qual havia uma porta semi-aberta no final. Ao chegar lá Arnson empurrou a porta e ao entrarem sua presença foi notada pelos presentes que estavam sentados em volta de uma mesa redonda, umas dez pessoas aproximadamente, entre homens e mulheres. Arnson e Heloísa dirigiram-se a duas cadeiras vazias. Havia em cada uma delas uma capa que eles trataram de vestir. As capas eram longas e de cor negra, e eram presas junto ao peito por um broche de cerca de 10 cm. O broche era circular de cor prateada, e em seu interior havia uma estrela de cinco pontas.
No chão da sala havia uma pintura exatamente igual ao formato do broche. Ela era grande de forma que todos ficavam dentro. 
Na mesa havia 13 cadeiras sendo que apenas 12 encontravam–se ocupadas.
Então todos se levantaram e se posicionaram atrás de suas cadeiras, assim como já estavam Arnson e Heloísa.
A sala estava iluminada com uma luz fraca que permitia somente que eles enxergassem o vulto uns dos outros.
Arnson começou a pronunciar algumas palavras rituais numa língua que se parecia um pouco com latim, e todos começaram a acompanhá-lo de forma que suas vozes passaram a ser ouvidas em uníssono.
Todos permaneceram por alguns minutos repetindo aquelas palavras continuamente.
De repente uma fumaça começou a tomar conta do ambiente, ela era cinzenta e contribuía para que a luminosidade do lugar se tornasse mais tênue. Neste momento as vozes começaram a aumentar seu volume.
Então um tremor foi sentido na sala de forma que a mesa e as cadeiras deslocaram-se levemente, e a fumaça aumentou até que não foi mais possível ver nada.
De repente o tremor parou e a fumaça começou a se dissipar. As vozes começaram a diminuir de volume até se extinguirem totalmente.
Neste momento foi possível notar que o décimo terceiro lugar da mesa, antes desocupado, já não se encontrava mais vazio, agora havia ali um homem de aproximadamente 1 metro e 90 centímetros de altura, vestido com terno e sapatos pretos. Em sua cabeça havia um chapéu preto de abas medianas, que encobria parcialmente o seu rosto com sua sombra.
Então todos se posicionaram de frente para o homem e curvaram-se em posição de reverência, mantendo seus olhos olhando para o chão, e assim permaneceram por alguns segundos. O homem então pronunciou algumas palavras não inteligíveis e logo após todos se levantaram e tomaram seus assentos, menos Arnson que permaneceu em pé e pronunciou as seguintes palavras:
- Mestre, sua presença muito nos alegra. Estamos ávidos por ouvir o que tem para nos dizer.
- Sente-se Arnson, pronunciou o recém chegado, e continuou.
- Estou aqui esta noite para lhes dizer que estamos entrando numa nova era de grandes mudanças, o plano que temos arquitetado por centenas de anos finalmente terá inicio em breve.
Porém todos sabem que existe um entrave para nosso sucesso, e está na hora desta oposição ser aniquilada completamente, de uma vez por todas. Vocês são peças chave para que isto aconteça. Mesmo que em todo este tempo eles não tenham oferecido grande problema para nós, existem focos isolados de resistência os quais precisamos atacar, e para isto usaremos toda nossa astúcia e poder.
Então precisamos nos infiltrar em seu meio e fazer com que creiam que somos como eles, para que assim possamos difamar seus líderes e espalhá-los, para que sozinhos não sejam mais uma ameaça para nós. Conto com vocês para execução desta tarefa e com a liderança de Arnson para comandar as ações que deverão ser feitas.
- Mestre – disse Arnson – nós estamos honrados por participar desta ação e faremos o possível para que tenhamos o êxito desejado.
Neste momento todos fecharam os olhos e começaram pronunciar aquelas palavras estranhas novamente, então por mais uma vez a sala foi tomada pela fumaça que durou alguns minutos. Logo após todos pararam de falar e abriram os olhos, e o homem não se encontrava mais entre eles.


Continua...